Marcos Rogério e o negacionismo travestido de discurso político
Rogério, que se consolidou politicamente na esteira do bolsonarismo, tenta manter viva a retórica antivacina que marcou o discurso radical da extrema direita durante a pandemia
Rogério, que se consolidou politicamente na esteira do bolsonarismo, tenta manter viva a retórica antivacina que marcou o discurso radical da extrema direita durante a pandemia
Durante entrevista a um site de notícias de Porto Velho, o senador Marcos Rogério (PL), provável candidato ao governo de Rondônia ou à reeleição ao Senado em 2026, fez declarações que reacendem o negacionismo em torno da pandemia.
O parlamentar afirmou que um familiar teria desenvolvido diabetes após tomar a vacina contra a Covid-19, sustentando que o imunizante seria “experimental”. A fala se soma a uma série de declarações sem respaldo científico que, nos últimos anos, colocaram em risco a confiança pública na vacinação.
Rogério, que se consolidou politicamente na esteira do bolsonarismo, tenta manter viva a retórica antivacina que marcou o discurso radical da extrema direita durante a pandemia.
O senador, ex-integrante do PDT e apadrinhado político do ex-senador Acir Gurgacz — de quem acabou se afastando —, agora busca chegar ao Governo de Rondônia com os votos do chamado eleitorado conservador, mesmo à custa de informações falsas sobre saúde pública.
O que o parlamentar ignora propositalmente é que estudos científicos de diversas universidades e centros de pesquisa, inclusive da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que complicações como diabetes podem surgir após infecção pelo vírus da Covid-19, e não pela aplicação da vacina. O imunizante, ao contrário do que afirmou Rogério, passou por todas as etapas de testagem e foi aprovado por agências sanitárias internacionais, como a Anvisa e a FDA.
O discurso de Marcos Rogério reflete o oportunismo político de quem se alimenta do negacionismo para manter espaço no debate público. A tática é conhecida: repetir narrativas falsas, flertar com a desinformação e transformar ciência em pauta ideológica. Em Rondônia, onde a pandemia deixou milhares de mortos, essa postura é um insulto às vítimas e aos profissionais de saúde que enfrentaram o caos hospitalar.
Ao citar arrependimento por não ter se aliado a Ivo Cassol — o ex-governador que, durante a pandemia, apareceu empunhando um maçarico e dizendo que “as faíscas curavam a Covid” —, Rogério demonstra o tipo de companhia política que ainda inspira seu projeto de poder. São dois oportunistas convictos.
Se esse é o perfil de quem sonha governar Rondônia, é legítimo perguntar: o que esperar de um político que rejeita a ciência, abraça teorias conspiratórias e desrespeita a memória de milhares de vítimas de uma tragédia sanitária sem precedentes? O Estado merece mais que negacionismo travestido de convicção.
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