STF afasta deputado Wilson Santiago, e PF faz buscas no gabinete e na residência dele
Prefeito de Uiraúna, João Bosco Nonato Fernandes (PSDB), foi preso
O ministro do Supremo Tribunal Federal
Celso de Mello determinou o afastamento do cargo do deputado Wilson
Santiago (PTB-PB). Ele é um dos alvos da operação Pés de Barro da
Polícia Federal, que investiga suspeitas de superfaturamento em obras no
interior da Paraíba. Os investigadores cumprem também mandados de busca e
apreensão em endereços do parlamentar neste sábado, inclusive no seu gabinete
na Câmara e em sua residência.
Na mesma operação, o prefeito de
Uiraúna, João Bosco Nonato Fernandes (PSDB), foi preso. Ao todo, são 13
mandados de busca e apreensão e, além de Santiago, outras seis autoridades
serão afastadas de suas funções públicas.
De acordo com a PF, são investigados os
crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude licitatória e formação de
organização criminosa, cujas penas, somadas, ultrapassam 20 anos de reclusão.
O foco das apurações são as obras da
"Adutora Capivara", sistema adutor que deve se estender do município
de São José do Rio do Peixe/PB ao município de Uiraúna/PB, no Sertão da
Paraíba. As obras foram contratadas por R$ 24, 8 milhões e teria havido até
agora distribuição de propinas no valor de R$ 1,2 milhão. A base da
investigação é uma delação premiada homologada pelo ministro Celso de Mello,
que ainda está sob sigilo.
Segundo a PF, o nome da apuração
"é uma alusão a um termo bíblico que serve para identificar, na vida
pública, os falsos valores políticos, ou seja, os líderes carentes de méritos
intrínsecos". Na Bíblia, Nabucodonosor, antigo rei da Babilônia, teve um
sonho interpretado pelo profeta Daniel no qual uma estátua feita de metais
preciosos desmorona porque seus pés são de barro.





