A Justiça ordenou nesta
quinta-feira a libertação de quatro homens ligados à ONG Brigada Alter do
Chão presos na terça-feira sob acusação de terem ateado fogo em parte da
vegetação da Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão, em Santarém, no
Pará. A decisão é do juiz Alexandre Rizzi, que voltou atrás de seu
posicionamento da quarta-feira, quando decidiu estender a prisão do grupo e
voltar a analisar o caso em dez dias. Foi uma decisão “de ofício”, ou seja, o
magistrado nem sequer esperou a análise do pedido de habeas corpus da
defesa, feita na segunda instância.
O magistrado diz que reavaliou a
necessidade de prisão, porque o delegado responsável pelo caso lhe informou que
houve “enorme arrecadação material” no cumprimento dos mandados de busca e
apreensão nos endereços dos investigados, o que “demandará lapso temporal
considerável para sua conclusão”. Por isso, o juiz argumentou que seria
“constrangimento ilegal” que os quatro homens ficassem à espera da análise de
celulares e mídias eletrônicas pela polícia.
“No caso em comento, considerando
a informação policial supramencionada, passa a ser nítida a incompatibilidade
do status prisional com a complexidade das investigações, não podendo os
indigitados ficarem recolhidos em cárcere à mercê da análise de vasto material
apreendido e conclusões da autoridade policial, sob pena de constrangimento
ilegal”, diz o juiz na decisão de soltura.
O delegado José Humberto Melo
Júnior, um dos responsáveis pela investigação da Polícia Civil que durou dois
meses, alegou que imagens, depoimentos e, principalmente, interceptações
telefônicas apontavam para a participação criminosa dos voluntários em
incêndios florestais. Melo alegou ainda que a Brigada teria recebido repasses
da ONG internacional WWF, inclusive de um fundo do ator Leonardo
DiCaprio, e que parte dos recursos teriam sido desviados, e que os voluntários
teriam vendido para a WWF fotos dos incêndios provocados por 47.000 reais.
O caso envolvendo os brigadistas Daniel Gutierrez Govino e João Victor Pereira Romano e Gustavo de Almeida Fernandes e Marcelo Aron Cwerner, tesoureiros do Instituto Aquífero Alter do Chão, do qual nasceu a Brigada, em 2018, ganhou grande repercussão, com tuíte do presidente Jair Bolsonaro sobre o caso e protestos de ativistas. Nesta quarta, o Ministério Público Federal (MPF) já havia requisitado à Polícia Civil do Pará o acesso integral ao inquérito. Em nota, o MPF informou também na quarta que, desde setembro, já estava em andamento na Polícia Federal uma investigação sobre o tema e que “nenhum elemento apontava para a participação de brigadistas ou organizações da sociedade civil” nos incêndios.
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